sexta-feira, novembro 14, 2008

Alguns registros

O ídolo falou. Não precisava, mas falou. E disse tudo. Em uma entrevista modelo, para ser revista em tempos futuros, assumiu os erros (quer erros?!) cometidos na última partida contra o Grêmio e se desculpou. Aliviou a barra do Luxemburgo e demonstrou, mais uma vez, porque ele é diferente dos demais. Dos demais jogadores de futebol do mundo inteiro. Trecho que destaco: "Com 16 anos de clube, eu não consigo ser só profissional. Nunca fiz média com ninguém. Se a torcida gosta de mim, foi pelas coisas que conquistei. Foi por ter quebrado a clavícula ao me jogar na bola numa dividida. Foi por ter deixado de lado uma proposta de 45 milhões do Arsenal-ING para ficar aqui e jogar a Série B. Eu deixei de agir só com a razão. Às vezes, faço as coisas com o coração, como um verdadeiro torcedor. Eu gosto demais do Palmeiras e só faço as coisas para ajudar. Mas sei que isso às vezes atrapalha". Não, Marcão. Não atrapalha, não. Aliás, no futebol, o que falta são pessoas assim, que agem não só com a razão. Pessoas que levam em conta o que o coração também que fazer. Pessoas como você, São Marcos!

 

Numa mensagem de apoio, a diretoria se reuniu com o elenco palestrino para demonstrar apoio e confiança ao grupo. Gesto louvável. Mas também deixou claro que a vaga para a Libertadores é obrigação. O que os jogadores também concordam. Só resta, então, provar isso no campo.

 

Por último, Luxemburgo pôs Fabinho Capixaba no lugar de Élder Granja no treino de ontem. Fabinho Capixaba... Ok, pode até ser que o Élder não esteja rendendo como no Campeonato Paulista, que precisa mesmo sentar num banquinho para acordar, mas ver Fabinho Capixaba com a camisa do Verdão é dureza. Pior ainda é ver o Wendel com a camisa santista. Obras do Sr. Luxemburgo.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Eu também faria o mesmo!

Sim, e faria mesmo. Eu também deixaria a minha área e tentaria fazer o gol. De qualquer maneira. Desesperadamente.

Eu também já fui goleiro. Eu sei o que é se sentir impotente. Talvez se sentir culpado pela derrota do time e não poder fazer nada para reverter a situação. O goleiro, via de regra, não faz gol. Quando o seu time está no ataque, ele é torcedor.

E eu sou torcedor do Palmeiras. E o Marcos também é. Ontem, quando não eram jogados nem 30 minutos do segundo tempo, quando o Grêmio vencia a partida pelo placar de 1 a 0, Marcos fez o que qualquer torcedor palmeirense queria fazer naquele momento.

Bom, pelo menos o que eu queria fazer. E os quase 28 mil palmeirenses que assistiam à partida no Palestra Itália. Porque parece que, segundo o que dizem algumas dessas pesquisas de portais internéticos, metade dos opinantes reprovam a atitude do ídolo alviverde.

Oras, mas que ingênuo eu sou! Em pesquisas de internet votam qualquer um. Votam qualquer corintiano ou são-paulino de cotovelo inchado por não ter um Marcos jogando em seus times. Ratifico: Marcos fez o que qualquer palmeirense faria naquele momento. Eu, inclusive.

Eu também subiria à área adversária para tentar o cabeceio. Eu também tocaria para o volante para fazer o um-dois e receber a bola mais adiante. Eu também xingaria o coitado do Preá - coitado, porque ele não tem culpa de ser um perna-de-pau e de estar com a responsabilidade de vestir o sagrado manto alviverde, não foi ele quem se pôs ali - por não ter rolado aquela bola, sobra daquele rebote, que poderia nos livrar de toda aquela agonia.

Ok, não nos livraria de toda aquela agonia. Ainda precisaríamos fazer mais um gol para continuarmos respirando na briga pelo título do campeonato. Mas se o Preá rolasse aquela bola na área para o Marcos, ele iria protagonizar o mais belo gol de todos os tempos. Eu disse: de todos os tempos!

Mas ele não rolou, e o mais belo dos gols não aconteceu. Mas aconteceu, pelo menos, o registro de que no futebol ainda existem homens de verdade. Jogadores de carne, osso, sangue e coração, que amam o que fazem, que jogam por paixão, que não são somente joguei-bem-graças-a-Deus-que-meu-dinheiro-está-na-minha-conta. Meus amigos, não sei porque as lágrimas não me saltaram ontem, pois quero chorar o tempo todo, desde então. De tristeza, talvez, pela derrota. De emoção, com certeza, de ver mais uma vez porque o futebol é minha paixão, de sentir mais uma vez muito orgulho em ser palmeirense.

E para terminar, essa vai para o Sr. Luxemburgo. Roa-se de inveja! O senhor é um mercenário, ou um profissional, como gosta de dizer. Marcos é São Marcos, e sempre será São Marcos, em todas as partidas, faça o que fizer - aliás, como o senhor mesmo reconheceu. Ele já está registrado para todo o sempre em nosso cânone. Já o senhor está é na nossa lista negra. Sempre o veremos com desconfiança. Nunca nos esqueceremos de sua participação na nossa queda, em 2002. O futebol é o futebol, apaixonante, alucinante, enlouquecedor, por homens como o Marcos, como o Garrincha, o Maradona, o Pelé, que escreveram e escrevem a história do futebol com o suor de seus corações. Porque é assim que eles ficam em nossos corações. Gente como o senhor, pelo contrário, só nos faz sentir desprezo e desgosto. Só nos afasta dos estádios. Portanto, Sr. Luxemburgo, seja mais humilde, ou pelo menos um pouco. Seja como o nosso São Marcos. E nem se meta a besta de barrar o nosso santo!

sexta-feira, abril 18, 2008

Sobre o próximo Palmeiras e São Paulo

Há quem diga que este Palmeiras e São Paulo do próximo domingo seja o mais tenso da história. Acho um exagero, apesar de achar que este será muito tenso mesmo. Mas da história? Desacredito. Porém, pode ser que seja um dos mais emocionantes, pois lembra muito aqueles da final do Paulistão de 1992, quando o São Paulo tinha um excelente time, já consolidado, e o Palmeiras estava em formação, mas com um bom time também. Se bem que agora, eu acho que o Verdão está melhor, tanto em relação àquela vez, como em relação ao São Paulo. Sim, diferente de 1992, o Palmeiras está melhor que o São Paulo hoje. O tricolor consegue equilibrar no quesito entrosamento, pois o time joga no mesmo esquema há anos, desde o Cuca, e a defesa é quase a mesma desde o Muricy. Mas a qualidade técnica dos jogadores palmeirenses é melhor, assim como a força de seu ataque.

Por falar em história, acho que o Palmeiras e São Paulo mais tenso e emocionante (pelo menos dos que eu vivi) foi aquele da Libertadores de 1994. Ah, sim, Choque-rei como aquele acho que vai ser difícil de ser novamente. O de agora, até pode ser tão emocionante, mas aqueles times eram insuperáveis. Não era à toa que aqueles dois times eram a base da Seleção Brasileira. Poderíamos mesclar as duas equipes, mais o Romário, vestir a canarinho neles e mandar para a Copa que seríamos tetra do mesmo jeito. Os times de hoje não chegam nem a fazer cócegas nos de 1994. Ah, 1994... Maldito seja o Zetti!

Mas agora é 2008, e a briga é pela vaga na final do Paulistão. Tínhamos a vantagem do empate, o tricolor nos tomou, na mão grande do Adriano, mas o fato é que agora é o São Paulo quem joga pelo empate. Por isso não tenho dúvida nenhuma, o tricolor vai ficar recuadinho, recuadinho, somente esperando o momento oportuno para dar o bote, que deve ser com a velocidade de Dagoberto. Por isso acho que o Borges, desta vez, só joga se entrar no meio do jogo. E tome bola pro Jorge Vágner lançar na área pro Adriano.

Por isso Verdão, preste atenção! Evite faltas ao máximo próximo da área! Escanteios, ceder somente na necessidade. Chutão para a frente sem medo de passar vergonha e se for para matar a jogada, que seja no campo do adversário. E o negócio vai ser pôr o Martinez no lugar do Pierre mesmo, que é jogador com mais qualidade técnica para ajudar o Léo Lima na armação das jogadas. Pois não tenham dúvidas de que o Muricy vai armar uma marcação implacável ao Valdívia e ao Diego Souza. Então a bola vai sobrar mais mesmo nos pés dos nossos volantes, eles que irão fazer a diferença no jogo. E penso que é bom entrar com o mesmo ataque do jogo anterior. Alex Mineiro e Kléber são mais durões e finalizadores. Denílson e Lenny são para o segundo tempo, quando a defesa deles estiver mais cansada e quando necessitarmos incendiar o jogo ou prender a bola nos nossos pés.

Pelos que se viu nos últimos dois jogos, o São Paulo só nos vazou na bola parada ou na falha individual de nossa defesa. Porém, nós marcamos por mérito próprio. Sim, foram quatro gols de pênalti, porém todos eles foram legítimos e provocados devido à qualidade de nosso ataque, que sabe invadir a área perigosamente. E teve o gol do Kléber, com aquele belo chute da entrada da área, após o corte no Juninho, que está até agora procurando aquela bola.

Meu palpite? Palmeiras! Não sei o placar, mas com uma grande possibilidade de ser um show, como foi numa certa final de Paulistão, no ano de 1993.

sexta-feira, abril 11, 2008

O Morumbi é o mais seguro?!

Como diz um ditado, que acho verdadeiro: o combinado não sai caro. Antes da competição, combinaram que os mandos dos jogos das semi-finais do Paulistão seriam determinados pela Federação. Regulamento é regulamento. E não pode ser alterado durante o transcorrer do jogo. Portanto, que se cumpra.

E está sendo cumprido. A Federação determinou que o primeiro jogo será no Morumbi, mando do São Paulo, e o segundo no Palestra Itália, mando do Palmeiras, pois em mata-matas é praxe que o jogo decisivo seja no mando de quem teve a melhor campanha.

Contudo, pela nota do presidente Juvenal Juvêncio e pelos comentários de tricolores que tenho visto por aí, o segundo jogo deveria acontecer no Morumbi, porque este é o estádio que oferece as melhores condições de segurança para os torcedores.

Perdõem-me, mas não consigo deixar de não torcer o nariz. Tirando o fato de que a instituição competente para determinar qual estádio tem ou não condições de garantir segurança aos torcedores é a Polícia Militar, para mim, tal argumento é hipócrita. O único motivo que justificaria realizar os dois embates entre Palmeiras e São Paulo no Morumbi é o motivo econômico. O Morumbi comporta mais gente que o Palestra Itália, ou qualquer outro estádio do Estado, logo, garantiria possibilidade maior de obter mais renda nestas semi-finais. E mais, o São Paulo ganharia mais ainda, pois receberia o dinheiro do aluguel do Morumbi na segunda partida (ou as custas são do dono do estádio?).

Entretanto, como falaram em segurança aos torcedores, eu agora vou falar sobre segurança em estádio, principalmente no Morumbi. Para mim, o argumento de que o Morumbi é o estádio mais seguro é balela, mito, conto da carochinha. E eu vou explicar o porquê. Pelo menos, os meus porquês.

Como morador da Zona Leste paulistana, para mim, o acesso ao Morumbi é pior do que ao Palestra. Tanto de carro como de transporte público. E mais, para estacionar o carro não há como, pois não existem estacionamentos com seguro em número suficiente. Todas as poucas vezes que fui ao Morumbi de carro, tive que deixá-lo nas ruas ao redor, correndo o risco de ter o carro depredado pelos vândalos de praxe, e ainda tendo que dar algum pros flanelinhas, e antecipadamente - um caso claro de estelionato. O Morumbi é o mais seguro?!

E mais. Suponha que você não vá de carro, vá de ônibus. E corra o risco de acontecer como aconteceu a um grande amigo meu, corintiano, no último Palmeiras x Corinthians, no mesmo Morumbi. Na saída do estádio, um bando de covardes, os de praxe, encanaram que o meu amigo era palmeirense, e queriam porque queriam que ele mostrasse onde estava escondida a camisa do Palmeiras. O meu amigo, que estava à paisana, pois é assim que há muito tempo deve-se ir a estádio de futebol, argumentou o que poderia argumentar, que não tinha camisa nenhuma do Palmeiras, pois era corintiano. Qual o quê? Não acreditaram, e continuaram a cercar o meu amigo, intimidando-o e provocando-o, e se ele não mostrasse o ingresso do jogo comprovando que estava no setor dos corintianos, certamente ele poderia não estar mais vivo para contar história. O pior é que eu não duvido nem um pouco que isso não tenha acontecido com outros torcedores naquele mesmo dia, tanto do lado corintiano como no do palmeirense, pois como disse, os covardes, nestas ocasiões, são de praxe, e de ambos os lados. O Morumbi é o mais seguro?!

Não, não é o mais seguro. Para um Palmeiras x São Paulo, ou qualquer outro clássico paulista, ser seguro nos dias de hoje, só se o jogo for sem público. E comparando com o Morumbi, o Palestra Itália, para os palmeirenses, oferece melhores condições de segurança e comodidade, porque é melhor de se estacionar o carro, o acesso por transporte público é mais fácil, e a torcida visitante nunca terá número suficiente para causar estragos tal qual aquela fatídica final do Campeonato de Juniores de 1995, uma vez que no Palestra, os lugares para os visitantes são 2500.

Portanto, a decisão de se jogar no Palestra Itália o segundo jogo da semi-final é a mais justa. Digam o que quiser, nunca o Morumbi será campo neutro num Palmeiras x São Paulo. O Morumbi é o campo do São Paulo, é o campo que o tricolor mais conhece. A troco de quê o São Paulo precisa ser sempre beneficiado com esta vantagem nos mata-matas contra times paulistanos? Basta! Assim como basta com a irritante iniciativa dos tricolores de sempre levar para os tapetões qualquer desavença que possa ser levada contra o Palmeiras. Para mim, isto está mais do que nítido. Nesses momentos, é difícil esquecer que foi a diretoria são-paulina que quis tomar o Palestra Itália à força, usando como argumento a beligerância havida entre o Brasil e a Itália de Mussolini, durante a Segunda Grande Guerra. É difícil esquecer isso, porque desde então o São Paulo está sempre reclamando nos bastidores contra o Palmeiras, e para tal, faz uso de todos os dispositivos que tem à mão, desde o uso de argumentos supostamente éticos e racionais (ou hipócritas), como este da segurança dos cidadãos, até o argumento da suposta comodidade e superioridade do Morumbi - que não nos esqueçamos, a sua construção é um caso obscuro de uso de dinheiro público para fins particulares.

terça-feira, outubro 16, 2007

O torcedor, um consumidor?

(O consumidor pode ser um torcedor, mas o torcedor não deve ser um consumidor)

Acabo de ler uma matéria no Globo.com a respeito da última pesquisa sobre as torcidas dos clubes brasileiros, "Pesquisas confirmam os cinco maiores". A pesquisa, realizada pela CNT/Sensus, diz o mesmo que as pesquisas anteriores: as maiores torcidas brasileiras continuam sendo a flamenguista, a corintiana, a sãopaulina, a palmeirense e a vascaína (respectivamente, em ordem de grandeza). As porcentagens divergem um pouco, mas a ordem não.

Pois bem, estou escrevendo agora, não pela pesquisa em si, mas sim pelo que li no último parágrafo da referida matéria. É conhecido que o dirigente sãopaulino, o Marco Aurélio Cunha, gosta muito de provocar os adversários, dar declarações polêmicas, criar um clima sobre qualquer assunto referente às rivalidades entre os clubes. O que não é ruim, pelo contrário, é algo que ele sempre faz respeitosamente. Futebol também serve (aliás, só deveria servir) para diversão, e na medida em que as rivalidades não ultrapassam a linha do fanatismo, as provocações entre os rivais são gostosas de se ver. Porém, não dá para admitir o que ele afirma em sua declaração. Não dá para admitir que "o torcedor quer títulos e administração limpa" somente.

Como eu disse, o referido sãopaulino é um provocador. É fácil perceber que ele só está puxando a sardinha pro lado dele, exaltando o momento atual em que o São Paulo Futebol Clube vive, já que o clube concorre o título de todo campeonato que disputa, o que é fruto de sua administração. É óbvio que o objetivo primário de sua declaração é alfinetar a torcida corintiana que, apesar do desastre que é a sua administração, tendo em vista o noticiário sobre a política alvinegra dos últimos tempos, ainda detém a hegemonia perante a massa de torcedores dos clubes paulistas. Com a manutenção da fase em que Corinthians e São Paulo atravessam hoje, conforme disse o Marco Aurélio, amanhã a torcida sãopaulina ultrapassará a corintiana, o que seria um golpe tremendo no ego dos alvinegros, que se orgulham de ser a maior torcida de São Paulo, e ainda contestam a hegemonia flameguista em nível nacional.

Contudo, o que está no pano de fundo de sua declaração transcende o contexto das rivalidades entre torcidas. Quando o dirigente tricolor diz que o "torcedor quer títulos e administração limpa", ele poderia estar dizendo que o "consumidor quer títulos e administração limpa". E também não seria absurdo nenhum dizer que o "cidadão quer administração limpa", se levarmos a coisa para o âmbito dos direitos políticos. Mas vamos ficar somente no contexto mercadológico, que é o que acho mais importante para a discussão, uma vez que o futebol é um negócio que gera muito dinheiro. Para uma pouca gente, infelizmente.

Eu vou falar por mim. Eu não torço pro Palmeiras só porque eu quero títulos e administração limpa. O Palmeiras passou por uma fase de jejum de títulos justamente na fase em que eu me descobri gente e me interessei por futebol. Eu nasci em 1980, fui ao estádio a primeira vez em 1986, quando assisti a um Palmeiras x Corinthians no Pacaembu, levado por meu pai. Ali fazia dez anos que o Verdão não erguia taça alguma, algo que foi acontecer somente em 1993. Durante esse período de jejum, como eu sonhava em ser jogador de futebol, já cheguei a vestir a camisa corintiana nos campeonatos de mirins da várzea. Já cheguei, inclusive, a pegar autógrafos de corintianos como o Neto e o Ronaldo, uma vez que eu treinava nos terrões do Parque São Jorge, justamente naquele ano em que o Corinthians foi campeão brasileiro pela primeira vez. E nem por isso eu deixei de ser palmeirense. E depois, quando a Parmalat foi-se embora, levando junto os grandes esquadrões alviverdes da década de 90, e em seu lugar veio a pior administração palmeirense de toda a sua história - pois nunca poderemos nos livrar da queda a Série B em 2002, fruto da medíocre administração de Mustafá Contursi que, junto com Vanderlei Luxemburgo, foi o principal responsável por esta mancha na vida de cada palmeirense - nem isso tudo me fez desistir da minha paixão.

Aliás, é justamente por isso, pela paixão que move cada torcedor, que não dá para admitir a declaração de Marco Aurélio. Quando uma pessoa escolhe um time para habitar o coração, não é por causa dos títulos que o time vem ganhando. Se fosse assim, eu não seria palmeirense; a torcida corintiana estaria à beira da extinção em 1977, quando findou o jejum de 23 anos sem títulos (e além de não estar para se extinguir, ainda era a maior de São Paulo); e a torcida sãopaulina já era para ser a maior do Brasil, pois já faz mais de dez anos que o tricolor é bi-campeão mundial (agora é tri), e o Flamengo é somente campeão mundial, título conquistado no longínquo 1981.

Definitivamente, o torcedor não quer títulos e administração limpa. Ele quer é torcer pelo time que ele se apaixonou, só isso. E digo mais, é esta visão mercantil e, a meu ver, tacanha do futebol que vai matar o próprio futebol. Pois hoje é o tempo em que os jogadores trocam de time como se trocam de cueca, o que já limou os ídolos das torcidas brasileiras, salvo às exceções de praxe (Marcos e Rogério Ceni). Hoje é o tempo do futebol brucutu, em que se exalta o pragmatismo burocrático, expressado pelo próprio São Paulo, em detrimento dos craques, como o Kérlon ou o nosso Valdívia, que quando tentam expressar a sua arte, são caçados impiedosamente pelos truculentos de dentro do campo, os zagueiros e volantes do naipe de Gavilán e Sandro Goiano, e de fora do campo, os cronistas do naipe de Paulo Morsa ou Arnaldo César Coelho, que vivem a dizer por aí que tal jogador é cai-cai, ou que tal jogador provoca os adversários.

Felizmente, as razões para que um torcedor seja torcedor são muitas, não só a razão apresentada pelo Marco Aurélio. Porém, as razões para que o futebol brasileiro esteja nesta condição em que se encontra são muitas e, infelizmente, este espaço é pequeno e insuficiente para esmiuçá-las. O que quero deixar explícito é que a minha defesa aos craques e aos ídolos de futebol não é puro saudosismo. É uma tentativa de se fazer abrir os olhos dos empreendedores do futebol. Antes de o futebol ser esse colosso mercantil que é, o futebol foi amador e movido pela paixão. Aliás, ainda é movido pela paixão, pois o torcedor, tanto na frente da tevê como sentado na arquibancada, quer é ver os grandes lances, vibrar com as jogadas espetaculares, comemorar os golaços. O torcedor quer é se emocionar.

sexta-feira, maio 11, 2007

Para o primeiro jogo do Brasileirão 2007

Diego Cavalieri; Wendel, Dininho, David e Leandro; Pierre, Martinez, Michael, Marcelo Costa e Valdívia; e Edmundo só no ataque. Este deve ser o Palmeiras que estreará no próximo domingo no Brasileirão 2007 contra o Flamengo no Maracanã. Como se vê, um 4-5-1, sem centroavante fixo no ataque e com o Valdívia encostando mais no Edmundo. Dada as características dos jogadores, acho que essa é uma formação mais defensiva, com o objetivo de atacar no contra-ataque, a ser explorado com a agilidade dos meias-atacante e a velocidade dos laterais.

A outra variação treinada por Caio Júnior, com Osmar no lugar de Marcelo Costa é teoricamente mais ofensiva, pois é postada com um centro-avante fixo na frente. Mas é aí que a porca torce o rabo. Que centro-avante?

O Osmar? Há muito tempo que não entendo porque o Osmar é centro-avante no Palmeiras. Me irrita quando ele recebe a bola de costas para área, faz aquele auê todo para protegê-la, e cai no chão, perdendo a bola. Ele é muito improdutivo. Não nego que o bichinho é virado para a lua às vezes, pois tem conseguido pôr a bola para dentro em alguns jogos importantes. Só que no Campeonato Brasileiro todos os jogos são importantes. E o Palmeiras precisa de um centro-avante mais produtivo, que faça mais gols, e quando não puder, que consiga pôr os companheiros em condições de fazê-los.

Mas o Palmeiras não está conseguindo trazer este centro-avante. Infelizmente, não podemos competir com o futebol internacional, e as opções aqui são poucas. A diretoria tentou o Dênis Marques (Atlético-PR) e está tentando o Rômulo ou o Alecsandro (ambos do Cruzeiro), mas, aqui entre nós, eles são jogadores medianos. Servem a curto prazo, mas a médio prazo não. O que o Palmeiras tem que fazer é forjar um centro-avante das categorias de base. E fazer o favor de não perdê-lo depois, como fez com o Wagner Love. Ou então, fazer como fez com o Valdívia, trazer um dos grotões da América do Sul. Porque para eles de lá, o nosso mercado é mais interessante. O Brasil paga melhor do que muitos lugares do nosso subcontinente e é vitrine para a Europa.

Enquanto o centro-avante não vem, penso que Caio Júnior acerta com a estratégia para esse jogo. Se não tem atacante, o negócio é não tomar gols e apostar nos contra-ataques e nas bolas paradas.

Espero que seja isso mesmo que aconteça, se não, o objetivo da Libertadores 2008 vai ficar muito distante.

Minha pergunta ao Beluzzo

Na última terça-feira, o Professor Luiz Gonzaga Beluzzo participou do programa Estádio 97, veiculado na rádio 97 FM, de segunda à sexta, das 18h00 às 20h30, para explicar sobre alguns de seus projetos para o Verdão, como o da Cesta de Atletas - uma iniciativa para arrecadar dinheiro para investir no futebol do Palmeiras.

Desde 2002 sou ouvinte deste programa, e por diversas vezes tentei participar ao vivo. Mas ser atendido por aquele número é feito digno de ganhar na loteria, dada à audiência que o programa cultiva. Mas pensei comigo: "hoje eu consigo!", comecei minhas tentativas desde o início do programa e eis que ganhei na loteria! Por volta de 20h00 fui atendido e pude fazer a única pergunta ao Professor Beluzzo que me foi concedida. Perguntei: o Palmeiras vai renovar com o Marcos ao final de seu contrato, ou melhor, o Palmeiras vai fazer com que o Palmeiras seja o único clube de sua carreira?

O Marcos é o maior ídolo do Palmeiras em atividade e, para mim, será o maior ídolo da história alviverde - depois de Ademir da Guia, é claro. Além de ser um ídolo do futebol brasileiro, pois ele é o goleiro pentacampeão mundial. O nosso futebol está muito carente de ídolos. Quem joga bem bola e logo se destaca, logo se vai para fora e não desfila seu belo futebol em nossos estádios. Por isso acho importantíssimo para os palmeirenses e, por que não?, para o futebol brasileiro que o Marcão encerre sua carreira no Verdão. A camisa 1 do Palmeiras tem que ser sua única e última camisa.

Pelo que o Professor Beluzzo respondeu é isso que deve acontecer mesmo. Disse ele para todos os ouvintes do Estádio 97 que esse é o desejo do Marcos, e também da diretoria palmeirense.

Oxalá amém!